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Laticínios são bons ou não para você?

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Os laticínios são um grupo alimentar controverso e confuso.

Algumas organizações de saúde os promovem como essenciais para aumentar a saúde óssea, enquanto outros experts discordam e afirmam que são prejudiciais à saúde. Quem está correto? Vamos examinar alguns fatos.

 

De acordo com as recomendações alimentares do “MyPlate” da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), uma alimentação saudável é formada por 5 grupos alimentares, incluindo: frutas, vegetais, grãos, alimentos proteicos e laticínios.

 

Os laticínios consistem em: leite e todos os alimentos derivados deste.

O USDA recomenda que nossas escolhas alimentares do grupo dos laticínios devem ser baseadas em alimentos que mantenham em sua composição bons níveis cálcio e, ao mesmo tempo, baixos níveis de gordura, de forma que esta ingestão não exceda os níveis diários de gordura saturada.

 

Enquanto o leite de soja enriquecido com cálcio for incluído na alimentação como parte do grupo alimentar dos laticínios, outros alimentos tais como manteiga, creme de leite, cream cheese não precisam ser ingeridos por conterem baixos níveis de cálcio.

 

A recomendação diária de laticínios varia de acordo com a idade. Genericamente,  recomendação diária brasileira é de 3 porções de leite e derivados (Guia Alimentar para a População Brasileira, 2008).

 

Para a população que não consome laticínios, o USDA recomenda os seguintes alimentos que contribuem para a ingestão de cálcio: folhas de couve, sucos fortificados com cálcio, pães, cereais, leite de arroz ou amêndoa, feijões de soja e outros derivados de soja, tempeh (soja fermentada, similar ao tofú), brócolis, nabo e repolho chinês (bok choy).

 

A questão é: qual a quantidade de cálcio absorvida a partir destes alimentos? Cada corpo e cada biotipo responde de uma forma diferente.

 

De acordo com o ayurveda, alguns biotipos (ou doshas) não se beneficiam com a ingestão de laticínios e, por conta disto, acabam não tendo deficiência de cálcio ou qualquer nutriente presente dos laticínios. É o caso do Dosha Kapha, cuja tendência é acumular muco, líquidos e gordura corporal. Para que possui este dosha desequilibrado, quanto menor for a sua ingestão de laticínios, mais facilidade terá para equilibrar a sua saúde de maneira geral.

 

Nutrientes do leite

O leite é uma boa fonte de cálcio, potássio, vitamina D, vitamina K-2 e proteinas.

Segundo a USDA, o cálcio é particularmente importante para a saúde óssea e muscular. O potássio auxilia na manutenção da pressão sanguínea, a vitamina D auxilia o corpo a manter os níveis de cálcio e fósforo do corpo. A USDA ainda reforça que as escolhas dos laticínios devem ser sempre light ou com níveis reduzidos de gordura saturada, pois esta gordura aumenta os níveis de LDL - o colesterol “ruim”.

Se, de acordo com os estadounidenses, está tudo ok com os laticínios, de onde vem a controvérsia?

 

Comer laticínios é natural?

É frequente a afirmação de que os laticínios não devem ser consumidos porque não é natural. O leite de vaca é projetado para prover proteína, micronutrientes e ácidos graxos que os bezerros precisam para se desenvolver, da mesma forma que o leite materno é produzido para nutrir nossos bebês.

 

Não só os seres humanos são os únicos que consomem leite enquanto adultos, mas são também a única espécie que bebe leite de outro animal. Humanos adultos não são bezerros, e não tem necessidade de crescimento, portanto, por que ingerir leite? É um argumento convincente.

 

Sob a perspectiva evolutiva, os laticínios parecem não ser essenciais para os humanos. Entretanto, em algumas partes do mundo, os laticínios vem sendo consumidos a milhares de anos, e pesquisas demonstram que nossos genes sofreram alterações para que possamos tolerar o consumo.

 

Enquanto o consumo não parece natural para os humanos, evidências demonstram que nos adaptamos geneticamente para consumir laticínios, o que indica que, agora, este consumo parece ser natural.

 

Intolerância à lactose

Outro argumento forte contra o consumo de laticínios é que 75% da população mundial perdeu a habilidade de produzir a enzima digestiva lactase - que digere a lactose (açúcar) presente no leite.

Esta enzima está presente nos bebês e crianças que não tem intolerância à lactose.

Como consequência, as pessoas que não digerem a lactose apresentam alguns sintomas após ingerir leite, tais como: dor abdominal, náusea, flatulência, diarréia e sensação de abdome inchado. 

 

Os laticínios aumentam a saúde óssea?

A maioria das diretrizes mundiais recomendam de 2 a 3 porções diárias de laticínios ao dia para obter ingestão adequada de cálcio da dieta.

 

Alguns especialistas discordam destas diretrizes pelo fato de que os países com o maior consumo de laticínios tem maiores índices de osteoporose do que países com baixo consumo de laticínios. Entretanto, há que ser dito que o consumo de laticínios não é o único fator diferente entre estes países e não é conclusivo afirmar que os laticínios causam osteoporose.

 

Dois estudos de observação são citados dentre os argumentos contra o consumo de leite para aumento da saúde óssea. O primeiro afirma que o consumo de laticínios por pessoas na faixa de 20 anos aumenta o risco de fraturas na idade avançada. O segundo estudo, não encontra evidências que a ingestão de leite ou cálcio protege o quadril ou antebraços de fraturas.

 

Entretanto, numerosos estudos apoiam os benefícios do consumo de laticínios para a saúde óssea. Pesquisas indicam que o consumo aumenta a densidade óssea e pode prevenir perdas ósseas devido ao envelhecimento e osteoporose.

 

Outras questões envolvendo os laticínios.

O consumo deve ser evitado em situações de obesidade, porque as gorduras presentes nestes alimentos são obesogênicos.

 

Leites açucarados devem ser evitados por portadores de diabetes, mas não há razão para que estas pessoas deixem de consumir leite.

 

Optar por produtos lácteos com baixo teor de gordura, em vez de produtos lácteos integrais reduz o risco de depressão, de acordo com o Prof. Ryoichi Nagatomi, da Universidade de Tohoku no Japão e equipe.

 

As pessoas com ingestão mais elevada de produtos lácteos mostraram maior pontuação nos testes de memória e função cerebral do que indivíduos que bebem pouco ou nenhum leite.

 

Sugere-se que a proteína caseína A2 beta contida no leite de vaca aumenta as defesas do corpo contra doenças neurodegenerativas, pancreatite e câncer ao criar um antioxidante essencial no organismo.

 

De acordo com os estudos ainda ficamos em dúvida em afirmar de forma genérica se o leite é bom ou ruim para você. Os argumentos a favor e contra continuam sendo pesquisados e os efeitos sobre a saúde variam entre os indivíduos. No entanto, na maioria das vezes, a evidência mostra que o consumo de lácteos tem benefícios. Nos resta como profissionais da saúde, individualizar o atendimento, ao máximo possível e, com o auxílio do ayurveda, indicar ou não o consumo de laticínios.

 

 

Fontes:

Hannah Nichols - Medical News

Guia Alimentar para a População Brasileira, 2008

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